quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Babilônia

Mudou-se então o semblante do rei, e os seus pensamentos os turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro. (Dn 5.6) [Ref. Jó 4.12-21]
. Sua face se empalideceu
. Sua mente se agitou
. Seu espírito enfraqueceu
. O corpo todo tremia
. Dava gritos angustiados
. "Sábios Babilônicos"
Belsazar, em acadiano Bel-sarra-usur, era o filho primogénito do Rei Nabonido - o último rei do Império Neo-babilónico. Foi co-regente com seu pai na parte final do seu reinado. Quando Nabonido estava no Líbano convalescendo de uma doença, pouco antes de iniciar uma campanha no ocidente da Arábia, chamou Belsazar e "lhe confiou o reino", ou seja, a co-regência. Desde então Belsazar governou a partir da Babilónia como co-regente, enquanto o Rei Nabonido residia em Tema.
Visto que Belsazar tinha efetivamente o "reinado", o relato do profeta judeu Daniel não errou em chamar "rei" a Belsazar, contrariando o que alguns críticos então pensavam. Segundo o historiador Herodoto, foi Ciro II quem derrotou o Rei Nabonido. Por sua vez, o livro bíblico de Daniel afirma que Belsazar foi o último rei. A dúvida devia-se ao facto de que Nabonido sempre aparecia históricamente como o último Rei de Babilónia antes da conquista de Ciro II. Além disso, quando ficou sabendo do significado da visão naquela mesma noite, Belsazar ofereceu a Daniel como recompensa a posição de 3.º governante do reino. (Daniel 5:29). 

Foi "durante o 3.º ano de Belsazar" como co-regente, que o profeta Daniel foi chamado ao palácio real para decifrar a Escrita Misteriosa. (Daniel 8:1) Com base nisto, a duração do seu governo terá sido de cerca de 3 anos. Na madrugda de 5 de Outubro de539 a.C., a cidade de Babilónia foi ocupada sem batalha pelos exércitos de Ciro II e Belsazar executado na mesma noite. Dario, o Medo, chefe militar de Ciro é nomeado co-regente e reina em Babilónia. (Daniel 9:1).
Mas gostaria de frisar estas frases:
Face Pálida / Mente Agitada / Espírito Enfraquecido / Corpo Trêmulo / Gritos Angustiados
Face: 12 formas na Bíblia:
Ao rosto literal; a superfície da Terra; a presença física; ao buscar a face, no sentido de favor; ocultar a face no sentido de privar-se; pedir que Deus oculte sua face no sentido de privar-se; pedir que Deus oculte sua face, no sentido de ignorar; ao homem escondendo o rosto, no sentido de reverência. humildade; ao cobrir o rosto com gordura, sinal de prosperidade; ao homem cobrir o rosto de outro, sinal de ruína, como se ele já tivesse morto; ao desviar o rosto, sinal de rejeição; ao enrijecer a face, sentido de endurecer-se para não ser misericordioso; ao ter medo de um rosto, no sentido de ter medo da pessoa em si. 
Mente: é o estado da consciência ou subconsciência, relativo ao conjunto de pensamentos. 'Mente' é o termo mais comumente utilizado para descrever as funções superiores do cérebro humano, particularmente aquelas das quais os seres humanos são conscientes, tais como o pensamento, a razão, a memória, a intuição, a inteligênciae a emoção. O termo também descreve a personalidade. O termo costuma ser utilizado para designar capacidades humanas. O termo também é empregado para designar capacidades de seres sobrenaturais, como na expressão "A mente de Deus". 
De acordo com o dualismo, a mente é uma substância distinta do corpo. Entre os defensores do dualismo encontramos os filósofos René Descartes e John Locke. No dualismo, o conceito de mente pode ser aproximado ao conceitos de intelecto, de pensamento, de entendimento, de espírito e de alma do ser humano.
De acordo com o monismo, mente e corpo são uma e a mesma coisa. Há dois tipos de monismo, o monismo que reduz o corpo à mente e o monismo que reduz a mente ao corpo. O monismo que reduz o corpo à mente é conhecido como imaterialismo, e foi defendido por George Berkeley. O monismo que reduz a mente ao corpo é conhecido como materialismo, e foi e continua sendo defendido por diversos filósofos, psicólogos e cientistas cognitivos.
De acordo com o epifenomenalismo, há uma única coisa, o corpo, e a mente é algo que sobrevém ao corpo. O monismo anômalo do filósofo Donald Davidson é considerado um tipo de epifenomenalismo.
Espírito: Achou-se com o filho; batizar com; não pode ser blasfemado; igual em autoridade ao Pai e ao Filho no batismo nas águas; fala por meio dos homens; enche os homens; vem sobre os homens; pode descer na forma corpórea; os homens podem ser cheios do Espírito; ensina; é dado a todos os cristãos; foi enviado; pode ser recebido; deu mandamentos; é prometido; é um dom; pode-se mentir para ele; testifica; pode ser resistido; pode ser concedido mediante a imposição das mãos; dá consolo; dá unção e poder; pode descer sobre os homens; pde ser derramado; envia missionários; toma decisões; acompanha ministros; forma supervisores; dá paz e alegria; santifica; habita em homens; aprova os homens; tem comunhão com os homens; inspirou o evangelho; renova os homens; concede dons; os homens participam dele; torna-se conhecido por meio simbólico; pode mudar os homens; é um com o Pai e o Filho; ajuda na oração. 
Corpo: é o conjunto das várias partes que compõem um animal. Após a sua morte esse corpo é considerado um cadáver.
O corpo humano e o dos restantes mamíferos é geralmente dividido em cabeça, tronco e membros.
Nos insetos e outros artrópodes, o corpo é normalmente dividido em cabeça, tórax e abdómen.
Os termos equivalentes nas plantas são cormo para as plantas com órgãos diferenciados, ou talo para as restantes.
Gritos: Voz articulada ou inarticulada solta com esforço; clamor; brado.
A Babilônia teve um papel significativo na história da Mesopotâmia, foi provavelmente fundado em 1950a.C. O povo babilônico era muito avançado para a sua época, demonstrando grandes conhecimentos em arquitetura, agricultura, astronomia edireito. Iniciou sua era de império sob o amorita Hamurabi, por volta de 1730 a.C., e manteve-se assim por pouco mais de mil anos. Hamurabi foi o primeiro rei conhecido a codificar leis, utilizando no caso, a escrita cuneiforme, escrevendo suas leis em tábuas de barro cozido, o que preservou muitos destes textos até ao presente. Daí, descobriu-se que a cultura babilônica influenciou em muitos aspectos a cultura moderna, como a divisão do dia em 24 horas, da hora em 60 minutos e daí por diante.
De entre os seus soberanos, o mais famoso foi Hamurabi (1792 a 1750 a.C.). O mais antigo e completo código de leis que a história registra foi de realização sua. Hamurabi também nomeou governadores, unificou a língua, a religião e fundiu todos os mitos populares em um único livro: a Epopéia de Marduk - que era lido em todas as festas de seu reino. Também cercou sua capital, fortificando-a. Ele criou o Código de Hamurabi, cujas leis, em resumo, seguem um mesmo príncipio: Dente por dente, olho por olho. Veja algumas leis:


  • 218-Se um médico fizer uma larga incisão com uma faca de operações e matar o paciente, suas mãos deverão ser cortadas;
  • 219-Se um médico fizer uma larga incisão no escravo de um homem livre, e matá-lo, ele deverá substituir o escravo por outro;
  • 221-Se um médico fizer curar um osso quebrado melável do corpo humano, o paciente deverá pagar ao médico cinco shekels;
  • 229-Se um construtor construir uma casa para outrem, e não fizer a casa bem feita, e se a casa cair e matar seu dono, então o construtor será condenado à morte;
  • 230-Se morrer o filho do dono da casa, o filho do construtor deverá ser condenado à morte;
A expansão do Império se iniciou por volta de 1800 a.C., logo, o rei Hamurabi unificou toda a região que ia da Assíria (no norte), àCaldéia (no sul). A partir dessa unificação, surgiu o Primeiro Império Babilônico.
Sua queda Teve início com o declínio do império de Sargão I. Era a capital dos amoritas (semitas, vindos do deserto da Arábia), que até então, era uma pequena cidade do Eufrates. Graças ao enfraquecimento dos Acadianos e posteriormente dos Sumérios, a Babilônia cresceu e evoluiu, tornando-se então, um império e um cobiçado centro comercial.
O poder cai nas mãos dos cruéis assírios, que formavam um poderoso império que se iniciou em 1200 a.C., até 612 a.C. quando Nabopolasar (da Babilônia), aliado aos Medos (povo que vivia no planalto iraniano), atacou Nínive, capital do Império Assírio, retomando o poder para a Babilônia, e se iniciando assim o Segundo Império Babilônico (ou Caldeu), que se tornou a mais notável cidade do Oriente.
Os arameus, assírios e os caldeus lutaram durante séculos pelo controle da Babilônia. O Rei assírio Assurbanípal venceu a luta em 648 a.C., e foi sucedido por Nabucodonosor II.
O interessante é que a Babilônia quando afligida era empalidecida, tornava-se transparente; agitava-se mudando a percepção da mente; se já era enfraquecida tornava-se ainda mais por não terem um espírito excelente; o corpo babilônico estremecia por falta de segurança que ouviam-se gritos do seu interior por enxergarem na sua angústia a Morte!
Será que temos aparência babilônica?

"Cá nesta Babilónia


Cá nesta Babilónia, donde mana 
Matéria a quanto mal o mundo cria; 
Cá, onde o puro Amor não tem valia, 
Que a Mãe, que manda mais, tudo profana; 
Cá, onde o mal se afina, o bem se dana, 
E pode mais que a honra a tirania; 
Cá, onde a errada e cega Monarquia 
Cuida que um nome vão a Deus engana; 

Cá, neste labirinto, onde a Nobreza, 
O Valor e o Saber pedindo vão 
Às portas da Cobiça e da Vileza; 

Cá, neste escuro caos de confusão, 
Cumprindo o curso estou da natureza. 
Vê se me esquecerei de ti, Sião! 

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos""


Babilônia significa 'porta - de - Deus' que tornou-se então significado de 'confusão'. Babilônia é mais do que uma cidade, uma nação, representa um sistema mundial. Não faça parte dessa grande prostituta, antes, limpe-se, purifique-se pela Palavra de Deus!
Myllena Carneiro




quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Músicas Seculares



"A música é arte e glorifica a Deus não importando a procedência?" 


É pecado, para um cristão, ouvir músicas seculares? Um cristão que ainda não abandonou a música secular está perdido? O cristão só deve ouvir louvores?
Na verdade, não é possível responder à pergunta sobre o ouvir músicas seculares com um mero "sim, é pecado" ou "não, não é pecado"; a questão é um pouco mais complexa. Primeiro, podemos perguntar: O que é pecado? A primeira resposta que nos vem à mente é o texto de I João 3:4 - "Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei." (NVI)
Se olharmos apenas este texto bíblico, ficaremos com o conceito de que basta olharmos os 10 Mandamentos e, se os obedecermos, não estaremos pecando. Mas a versão Almeida Revisada traduz este verso da seguinte forma: "Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia." Vemos aqui uma definição mais abrangente e mais subjetiva para a palavra "pecado". Na verdade, o próprio João, se seguirmos a leitura até o verso 10, explica melhor a questão do pecado: quem peca é quem faz as obras do diabo. Assim, para resumirmos, se compararmos este trecho com outras passagens bíblicas, veremos que pecado é tudo aquilo que nos afasta de Deus e da Sua vontade. Aí surge outra pergunta: A música pode realmente nos afastar de Deus? Se sim, que tipo de música pode me afastar de Deus e que tipo de música me aproxima dEle? Todos os meus estudos, como é possível constatar pelos artigos publicados no site (Música Sacra e Adoração) , do qual sou o editor, demonstram que sim, a música pode me afastar ou me aproximar de Deus. Portanto, algumas músicas seriam pecaminosas, enquanto outras não seriam.
Porém, para compreendermos plenamente o problema, temos que estabelecer algumas bases para esta discussão: Primeiro,  é muito importante enfatizar que estamos analisando o uso da música secular fora do ambiente da igreja, em momentos de entretenimento pessoal e não de adoração. É evidente que o que é secular não tem lugar no ambiente sagrado. A palavra de Deus é contundente quando diz: “Não profanareis o meu santo nome, e serei santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o Senhor que vos santifico” (Levítico 22:32) Este texto, juntamente com o relato do episódio em que Nadabe e Abiú trouxeram fogo estranho perante o Senhor e foram consumidos (Levítico 10:1-2), deixa claro que nada que não tenha sido consagrado a Deus pode se usado na adoração a um Deus santo.
Outro ponto importante que precisamos esclarecer é que neste momento vamos nos ater à discussão da "música", sem considerar, agora, a letra. Isso porque a letra transmite sua mensagem de forma objetiva, ou seja a mensagem é clara. É possível analisar a poesia escrita, avaliando-a à luz dos ensinos teológicos da igreja e assim atestar a sua compatibilidade com aquilo que a igreja prega. Podem surgir, no máximo, dúvidas de interpretação de texto, mas, de forma geral, o conteúdo da letra é claro. Porém, com a música, tudo é diferente. Ela é um encadeamento de sons que ocorrem no tempo e que nos influenciam, criando estados mentais, levando nossa mente a fazer associações com situações ou momentos já vividos, alterando vários aspectos da nossa fisiologia e sugerindo idéias, sentimentos e sensações. Por esta razão, dizemos que a mensagem da música é subjetiva, ou seja, não é clara e pode inclusive ter significados ligeiramente variados de pessoa para pessoa. Evidentemente que esta variação de significados não é muito grande, pois se fosse assim, as trilhas sonoras de filmes não teriam o impacto que sabemos que elas têm, de maneira muito semelhante, sobre todas as pessoas, em qualquer cultura. 
É preciso notar que, ao deixarmos de analisar a letra, não estamos diminuindo a importância da letra na influência de uma canção sobre o ouvinte. Sabemos que, na música sacra, é a letra que deve ter a primazia, tal é a importância que ela tem. Estamos apenas afirmando que é muito fácil compreender a mensagem de uma letra e que, por este motivo, não nos deteremos aqui na discussão deste elemento de uma canção. O real problema acontece na análise da música em si, porque a maioria esmagadora dos cristãos não realizam esta análise, seja por carecerem das ferramentas necessárias, seja por não estarem dispostos a fazer esta análise. E não podemos dizer que esta análise deveria ser feita pelo diretor de música, pelo líder do louvor, pelo ancião, pelo pastor. Cada um de nós deve responder diante de Deus pelas suas próprias escolhas e decisões, dentro da luz que possuímos. Jogar a responsabilidade para outros não resolve o problema na minha vida espiritual.
Vemos então que, para respondermos corretamente a questão sobre a música secular, temos que tentar compreender a mensagem da música (independente da letra) e aí sim, vermos se esta mensagem (ou influência) nos afasta de Deus ou não. Uma das formas que algumas pessoas tentam usar para julgar a validade de algumas músicas é tentar julgar o compositor destas músicas. Desta forma, argumentam, por exemplo, que Beethoven era ateu, Mozart era um devasso, Tchaikovsky era homossexual e assim por diante. Segundo este argumento, não deveríamos usar qualquer música composta por estes mestres, uma vez que sua vida não era compatível com a vida de um cristão e, portanto a sua música estaria "contaminada" por seus hábitos não recomendáveis. A estas pessoas diríamos que não é o nosso papel rotular ou julgar as pessoas. A música, para ser questionada, deve ser julgada por si mesma, pelo que ela é, dentro do nosso contexto atual. Alguns diriam que não é possível uma fonte poluída fornecer água pura, mas a estes eu perguntaria como é que o puro lírio branco pode nascer na podridão de um pântano fétido. 
Para compreendermos melhor, podemos fazer uma analogia: quando ingerimos uma comida, não nos preocupamos se ela foi produzida por um evangélico ou por um ateu. O que nos importa é que benefício ou malefício aquele alimento vai nos trazer. Se só comemos apenas alimentos que não são saudáveis, que são ricos em gorduras, nosso corpo será fraco, gordo, sem vitaminas e com o sistema imune deficiente. Sofreremos de vários problemas de saúde e a nossa expectativa de vida, tanto em qualidade quanto em longevidade, será diminuída. Se, contudo, comemos alimentos saudáveis, naturais, em uma dieta equilibrada dos vários nutrientes, nosso corpo será saudável, forte e bem equilibrado. Temos que admitir, infelizmente, que esta análise normalmente não é feita, e as pessoas comem com base apenas no gosto. E por causa disso, vemos a população sofrendo de diversos males que seriam perfeitamente evitáveis. Com a música acontece exatamente da mesma forma. Se ouvimos músicas (sem se preocupar agora com a letra) que nos elevem, que sejam apropriadas para a nossa espiritualidade, que façam bem à nossa mente, a fonte de onde essas músicas vieram não é tão importante quanto o benefício ou malefício que elas poderão causar à nossa mente e à nossa espiritualidade. Assim como com os alimentos, o julgamento musical não é apenas uma questão de gosto, mas de efeitos.
Em virtude destas diferenças, vistas acima,  entre a mensagem subjetiva da música e a mensagem objetiva da letra, a argumentação de alguns de que o cristão só deve ouvir louvores e que, se um cristão age desta forma, está seguro de influencias mundanas, é, no mínimo, ingênuo e desinformado, podendo chegar a ser mal-intencionado. Afirmo isto porque, embora a letra possa ser teologicamente correta, a música pode não ser apropriada para transmitir este conteúdo teológico, já que, como vimos, a análise da música é bem mais complexa e exige um grau maior de discernimento, em virtude da sua subjetividade. Quando isto ocorre, o cristão que se expões a estas músicas pode, efetivamente, estar recebendo influências mundanas, mesmo que a letra seja teologicamente correta. A sutileza do engano satânico está em que quase todos ouvem essas músicas, crendo que isso os levará para mais perto de Deus. Mas a única coisa que estas músicas podem fazer é excitar as emoções (que muitos confundem com a operação do Espírito Santo) e superficializar e banalizar a experiência religiosa, tornando o culto um mero entretenimento. Seria um engano, ingênuo ou consciente, acharmos que toda e qualquer expressão de adoração que parte do homem é verdadeira. O homem possui um coração enganoso e uma mente limitada (Jeremias 17:9; Isaías 55:8-9). Essas duas coisas produzem um erro que não é percebido facilmente pelo homem, especialmente quando a maioria ao seu redor está envolvida neste mesmo erro (II Timóteo 3:1-5; II Timóteo 4:3-4).
Da mesma forma que muita coisa não adequada pode ser encontrada na música utilizada nos cultos, muita coisa de valor pode ser encontrada na música secular. Não é porque não é de origem cristã que, necessariamente, é pecado. Por exemplo, poderia ser pecado cantar as virtudes do amor sincero e verdadeiro? Seria pecado cantar as belezas da natureza, de um lugar lindo e inspirador, do qual a pessoa sente saudades? Verdadeiramente, eu não creio que isto seja pecado. O amor sincero e verdadeiro não é um dom divino? A natureza não é criação de Deus? Os sentimentos puros e sinceros não foram implantados no nosso coração pelo Criador? 
Não é certo nos encastelarmos numa torre de marfim, nos trancarmos em uma redoma de vidro, a fim de tentarmos fugir das influências maléficas do mundo. Se fizermos isto, estaremos deixando de ser o "sal da terra", pois, se por um lado, não recebemos influências maléficas, não estaremos exercendo o nosso papel de influenciar beneficamente o mundo. O que acontece se o sal perde o seu sabor? (Mateus 5:13)  Nosso exemplo maior, Cristo, não deixou de andar com publicanos, comer com pecadores, conversar com os rejeitados, impuros e excluídos da sociedade daquela época. Contudo, por outro lado, não podemos nos esquecer que o próprio Deus nos ordena a sermos santos e não nos contaminarmos com as coisas impuras do mundo, nem amarmos as coisas que o mundo oferece (Levítico 20:26; Mateus 6:24; Tito 2:12; Tiago 4:4; I Pedro 1:14-16; I João 2:15-17). Como resolver esta aparente contradição, este paradoxo? 
O discernimento espiritual deve ser buscado na própria fonte de toda a verdade, através da oração e do estudo da Palavra de Deus. A nossa própria vontade, o nosso próprio gosto não pode ser o parâmetro seguro pois, como já vimos, o coração do homem é enganoso. Voltando ao exemplo de Cristo, ele se misturava com pecadores sim, mas depois de passar noites inteiras em oração (Lucas 6:12). Ele, que era o Filho de Deus, não ousava entrar em contato com o pecado sem antes buscar forças para resistir a ele. Será que não estamos querendo, neste aspecto, ser mais poderosos do que o próprio Jesus? Não estaríamos nós, quando se trata de nossas escolhas musicais, nos permitindo um contato com influências malignas sem antes nos revestirmos de "toda a armadura de Deus" (Efésios 6:11-13)? Seria muita presunção de nossa parte tentarmos fazer isto, não é? Isto sim, seria um grande pecado... (Tiago 4:16).
Assim, é evidente que precisamos ter cuidado em selecionar as músicas que ouvimos (sejam seculares ou não), bem como as letras que essas músicas nos transmitem; precisamos discernir que efeito este conjunto (letra e música) terá sobre a nossa mente e a nossa vida espiritual. Mas, da mesma forma, quando questionados sobre assuntos espirituais, precisamos fugir da resposta simplista de que, sendo da igreja, é certo, não sendo da igreja, é pecado. Conforme espero ter demonstrado, existem mais coisas que precisam ser consideradas na questão da música secular ou sacra. Cada música precisa ser analisada por si mesma, por seus valores, seus efeitos, seus resultados. Esses resultados, precisamos nos lembrar, tem conseqüências eternas!
Concluindo, diríamos que todas as escolhas musicais do cristão não devem estar rotuladas, mas precisam estar de acordo com Filipenses 4:8 "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."

Textos Citados:
Levítico 10:1-2 - "Ora, Nadabe, e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário e, pondo neles fogo e sobre ele deitando incenso, ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que ele não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do Senhor, e os devorou; e morreram perante o Senhor."
Jeremias 17:9 - "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?" 
Isaías 55:8-9 - "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos." 
II Timóteo 3:1-5 - "Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses."
II Timóteo 4:3-4 - "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas."
Mateus 5:13 - "Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens."
Levítico 20:26 - "E sereis para mim santos; porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus."
Mateus 6:24 - "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. (...)"
Tito 2:12 - "ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente" 
Tiago 4:4 - "Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus."
I Pedro 1:14-16 - "Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo."
I João 2:15-17 - "Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre."
Lucas 6:12 - "Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar; e passou a noite toda em oração a Deus."
Efésios 6:11-13 - "Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra as ciladas do Diabo; pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes. Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes."
Tiago 4:16 - "Mas agora vos jactais das vossas presunções; toda jactância tal como esta é maligna."

Levi de Paula Tavares (Autor)